Ritmo e Técnica: O Festival de Bateristas do Porto
A paixão pela bateria é algo visceral, uma sinfonia de pele e metal que pulsa em cada batida. No último sábado, o Porto foi o epicentro dessa paixão, com a primeira edição do Festival de Bateristas do Porto. Confesso que estava um pouco cético, afinal, um festival dedicado exclusivamente à bateria é um nicho bem específico. Mas a curiosidade falou mais alto, e lá fui eu, de bloco de notas em punho, pronto para desvendar o que este evento tinha para oferecer aos amantes do ritmo.
Um Palco, Múltiplas Batidas
O evento aconteceu no auditório da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, um espaço que se revelou perfeito para a acústica dos vários kits de bateria montados. Desde as 10h da manhã até às 19h, o palco não parou. Vi demonstrações que iam do jazz ao metal progressivo, cada baterista com a sua linguagem e expressão únicas. Houve um jovem, de uns 17 anos, que impressionou a todos com a sua velocidade e precisão no double pedal, alcançando cerca de 220 bpm por alguns minutos sem falhas. Um verdadeiro prodígio.
As clínicas foram um ponto alto. Tivemos mestres como o José Carlos, que detalhou a sua abordagem ao groove funk, focando-se na sutileza dos ghost notes e na dinâmica dos pratos de choque. A sua sessão, que durou cerca de uma hora e meia, esteve repleta de exemplos práticos, com o público a poder tirar dúvidas em tempo real. Estava lotado, com cerca de 150 pessoas, muitas delas bateristas experientes.
Equipamento e Inovação
Para além das performances, o festival ofereceu uma pequena área de exposição com stands de algumas lojas de música locais, como a Musicalis do Porto e a Sons de Gaia, que trouxeram novidades em baterias eletrónicas, pratos de liga exótica e baquetas de fibra de carbono. Pude testar um novo pedal de bombo duplo da marca Axis, que, apesar de caro (na casa dos 600€), oferece uma sensação de leveza e resposta impressionantes. Conversei com um representante de uma marca portuguesa de peles de bateria que prometia durabilidade superior e um timbre mais quente – eles davam uma garantia de 6 meses contra defeitos de fabrico, algo incomum no setor.
Também houve um seminário sobre a importância da ergonomia e da postura correta ao tocar bateria, ministrado por um fisioterapeuta. Muitos bateristas, como eu, tendem a ignorar esses aspetos até que a dor apareça. Fiquei a saber que a altura do banco e a disposição dos pratos podem impactar diretamente a saúde da coluna e dos ombros. Uma pequena alteração na minha configuração pode poupar-me anos de desconforto.
Comunidade e Futuro
O que mais me tocou foi o senso de comunidade. Bateristas de todas as idades, desde crianças de 8 anos a veteranos com décadas de estrada, partilhavam experiências, dicas e, claro, a paixão pela percussão. Vi trocas de contactos para futuras jams, discussões acaloradas sobre a melhor forma de afinar um tom e até um pequeno concurso de solos improvisados, onde o vencedor levou um novo set de pratos Zildjian K Custom. O ambiente era de celebração, não de competição.
Este festival, que teve um custo de entrada de 15€ (com 5€ de desconto para estudantes), conseguiu algo notável: reunir a tribo dos bateristas do norte do país num só lugar. Já estou ansioso pela próxima edição, e espero que se torne um marco anual no calendário musical do Porto. É fundamental apoiar eventos como este que promovem a arte, a técnica e a união de uma comunidade tão vibrante.
- Abertura do festival às 10h com clínica de aquecimento.
- Demonstrações de 7 bateristas convidados de estilos variados.
- Área de exposição com 3 stands de lojas de música e 2 fabricantes.
- Seminário sobre ergonomia na bateria.
- Concurso de solos com 12 participantes.
- Encerramento às 19h com uma jam session espontânea.